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Cabelo bombril? Saiba porque essa é uma comparação racista

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Aparentemente inofensivas para quem as pratica, mas dolorosamente traumatizantes para os alvos, as piadas racistas são pequenas agressões contra a dignidade e identidade da pessoa negra. Associar negros ao crime, compará-los à animais ou dizer que o crespo é um cabelo bombril, por exemplo, são atitudes que, infelizmente, ainda despertam riso, quando, na verdade, deveriam despertar repulsa.

Ao contrário do que muita gente ainda pode acreditar, o racismo não acontece apenas de forma explícita. É de forma velada, aliás, que a maioria dos preconceitos de raça se manifestam e é justamente por isso que precisa ficar claro que zombar das características físicas das pessoas negras também é um ato racista – com pena de até 5 anos de reclusão pela Lei do Crime Racial – Lei 7716/8.

A negação da estética negra e a associação ao “feio”, ao “ruim”

Para entender porque comprar cabelos crespos à uma esponja de aço é doloroso e racista, é preciso entender o processo de negação da estética negra e seus impactos sociais. Durante o Apartheid, por exemplo, um sistema de segregação racial implantado na África do Sul, o chamado “teste do lápis” era realizado caso houvesse dúvida sobre a raça de uma determinada pessoa.

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Para definir se esse alguém era branco ou preto, um lápis era colocado no meio de seus cabelos. Se o objeto escorregasse e caísse, significava que a pessoa era branca. Mas, se o lápis ficasse preso, era negra. Nesse período, ser negro significava ser alvo de práticas racistas e excludentes, ter piores condições de moradia e de educação, além de sofrer repressão e violência.

O mesmo acontecia no período escravocrata brasileiro. Durante a escravidão, toda a cultura e identidade do povo negro e africano foi destruída e hostilizada: suas vestimentas, sua religião, seus acessórios e até mesmos os seus traços físicos, como a pele escura, os narizes largos, os lábios “carnudos” e o cabelo em espiral. Apesar do fim da escravidão há mais de 130 anos, o cenário, hoje, não é muito diferente.

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Mesmo sendo o segundo país com a maior população negra do mundo – ficando atrás apenas da Nigéria -, o Brasil ainda carrega uma cultura escravocrata que menospreza a estética negra. Prova disso é que até pouquíssimo tempo atrás ainda era raro encontrar nas novelas, no cinema e nos comerciais pessoas que representam a beleza a negra, já que o padrão “bonito” geralmente está associado a um cabelo liso e claro.
O racismo estrutural fez com que, no Brasil, ser negro se tornasse sinônimo de tudo que é considerado socialmente aceitável e agradável esteticamente. Dessa forma, as piadas, as expressões e as comparações aparecem apenas para reforçar estereótipos racistas de maneira velada – mas não menos preconceituosa.

O problema em associar o cabelo crespo à esponja de aço

Seja na escola, nas universidades, no mundo corporativo ou até mesmo entre amigos e familiares, toda pessoa negra já ouviu algum tipo de comentário sobre seus cabelos naturais. Por anos, “cabelo de bombril” foi um termos usado para se referir à cabelos crespos, especialmente os no estilo black power, que são mais longos e realçam o volume dos fios tipo 4c.

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Atrelar características negras a um produto de limpeza, porém, não é apenas ofensivo, mas é também racismo. Esse tipo de ofensa não apenas contribui para que a autoestima da população preta esteja sempre comprometida, mas também para a negação da estética negra como um todo. Por isso, lembre-se: não existe cabelo ruim, cabelo de bombril também não. Ruins são o preconceito e o racismo.

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