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O que não falar para uma mulher regra

O que não falar para uma mulher regra

E aí, Brasil, como vocês estão? Hoje, trago uma questão que precisa ganhar espaço em nossas discussões diárias: racismo. Somos a geração que vem trazendo esse preconceito com grande peso principalmente nas redes sociais, em rodas de conversa com amigos, no trabalho, na escola e nos ambientes de socialização. Por isso, trago aqui um dos diversos temas que podem ser discutidos nessas situações: o que não se deve falar nunca a uma mulher negra?

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Uma das coisas que toda mulher negra já deve ter ouvido é: “você não é negra, você é bonita!”. Esse é um clássico do racismo escancarado, digo escancarado pois, já na própria frase, se vê a exclusão da possibilidade de ser bonita E negra. Com os padrões brancos espalhados pela mídia, muitas pessoas nem se dão conta do quanto essa frase é racista e pesada de se ouvir e acabam naturalizando essa fala. Por isso a necessidade da autoestima da mulher negra ser exaltada. Ser negra e bonita não são coisas separadas, a separação ocorre só quando existe o racismo.

Outra coisa a não se dizer é o famoso “você lava seu cabelo?” – estendendo aqui também para todas as pessoas pretas. O “negro sujo” é uma das formas de se propagar o racismo e isso ocorre através de comentários deste tipo. Já parou pra pensar em como essa fala não faz sentido nenhum? Ninguém para pessoas brancas nas ruas para perguntar se elas lavam seus cabelos. Isso é de um nível absurdo que as pessoas não se dão conta. Entender que o cabelo crespo e que pessoas negras são limpas parece algo estranho para certos grupos entenderem em seu subconsciente, o que faz com que trazem essas falas disfarçadas de “curiosidade”. Chega a ser estranho dizer isso numa frase, pois é extremamente racista condicionar qualquer comportamento a determinada etnia, cultura e raça.

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Algo muito falado ainda é a seguinte frase: “Ah! Você nem é tão negra!”, como se ser negra se resumisse a um tom especifico de pele ou, ainda, que ser negra demais é ruim. Então, você não sendo “tão” negra, é um alívio! Imagine só, ter de ouvir que você deve sentir-se grata por não ser tão negra, mas claro, não se esquecendo de que é preta e vai passar por diversas situações racistas por isso, incluindo esta.

Outra coisa importante a não se dizer a nós, é a descrição de nossa negritude pela palavra mulata. Mulata é um termo muito presente no vocabulário brasileiro e direcionado a descrever negras de pele clara, com corpos volumosos, sendo utilizado como forma de hiperssexualização de nossos corpos. A palavra deriva de “mula”, que é um animal tido como servil, fruto do cruzamento entre a égua e o jumento. O termo foi cunhado no período colonial para se referir à escravizas abusadas por seus senhores e que tinham filhos mestiços. Por isso, é importante que esse termo seja retirado de nosso vocabulário, pois coloca nossos corpos em lugares de exclusão de narrativas reais, de valorização humana e respeito.

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Não podia deixar de citar uma das mais comuns afirmações: “sabe sambar pois é negra”. Muito se justifica o molejo de algumas pessoas negras justamente por serem negras. Pode parecer inofensivo, afinal, samba é um ritmo nacional muito aclamado. Mas, não podemos esquecer que essa fala exclui a possibilidade de sermos qualquer coisa diferente desse imaginário brasileiro: negras, que sambam, e que são valorizadas apenas nesse contexto, em que há brancos e brancas que notam a beleza negra apenas em estereótipos que condizem com seus preconceitos. Por isso, não limitar o que é o povo preto e do que gosta, é importante, sim. Afinal, você não tende a gostar de gêneros musicais, filmes ou qualquer outra coisa porque nasce preto. Você gosta por identificação.

A existência dessas diversas frases, falas e comportamentos, expõe o racismo de cada pessoa, racismo este que está velado por sua naturalização. O que é de extrema importância é que pessoas brancas se integrem nas discussões, entendo que nós, negras, temos propriedade em dizer o que não se deve falar sobre nós e para nós.

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Partindo daí, brancos e brancas devem se ver como parte das questões raciais como agentes da mesma, ou seja, uma das coisas a não se fazer é continuar reproduzindo essas falas. Abrir-se para o que é o racismo velado e o que é o racismo explícito, entendendo que ele se mantém em grande parte pelo poder das palavras e seu uso irresponsável ou ignorante.

Por hoje é só Brasil! Fica aí a reflexão bora compartilhar com os chegados!

Beijos e até a próxima!

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